INTRODUÇÃO
Em
19 de novembro de 2004, o Hospital Pompéia de Caxias do Sul (instituição
de caráter filantrópico
fundada em 24 de junho de 1920), instituiu
o Comitê de Ética em Pesquisa
do Hospital Pompéia. O Comitê tem
por finalidade o incentivo a iniciação
e produção científica
sustentada, através de apoio e
estímulo à pesquisa dentro
do Hospital Pompéia. Segundo a
resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde (CNS), cabe
ao Comitê de Ética em Pesquisa
a apreciação de todo e
qualquer projeto de pesquisa envolvendo
seres humanos, desenvolvidas ou promovidas
pela Instituição Hospital
Nossa Senhora de Pompéia.
O Comitê é um colegiado interdisciplinar e independente, com “múnus
público”, que deve existir nas instituições que
realizam pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, criado para defender
os interesses dos sujeitos da pesquisa em sua integridade e dignidade e para
contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos
(Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos – Res.
CNS 196/96, II.4).
O
Comitê e constituído por profissionais de saúde (médicos,
enfermeiras, psicólogos), das ciências jurídicas (advogados),
representantes religiosos (padres) e representantes da comunidade.
O Comitê também é responsável pela avaliação
e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo
seres humanos, no âmbito de sua instituição. Este papel
está bem estabelecido nas diversas diretrizes éticas internacionais
(Declaração de Helsinque, Diretrizes Internacionais para as
Pesquisas Biomédicas envolvendo Seres Humanos – CIOMS) e Brasileiras
(Res. CNS 196/96 e complementares) 6, diretrizes estas que ressaltam a necessidade
de revisão ética e científica das pesquisas envolvendo
seres humanos, visando salvaguardar a dignidade, os direitos, a segurança
e o bem-estar do sujeito da pesquisa. Desta maneira e de acordo com a Res.
196/966, “TODA PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS DEVERÁ SER
SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DE UM COMITÊ DE ÉTICA
EM PESQUISA”.
A missão do Comitê é salvaguardar os direitos e a dignidade
dos sujeitos da pesquisa (que são os indivíduos submetidos à pesquisa).
Além disso, o Comitê contribui para a qualidade das pesquisas
e para a discussão do papel da pesquisa no desenvolvimento institucional
e no desenvolvimento social da comunidade. Contribui ainda para a valorização
do pesquisador, o qual recebe o reconhecimento de que sua proposta é eticamente
adequada.
O Comitê, ao emitir parecer independente e consistente, contribui ainda
para o processo educativo dos pesquisadores, da instituição
e dos próprios membros do comitê.
Exerce ainda papel consultivo e, em especial, papel educativo para assegurar
a formação continuada dos pesquisadores da instituição
e promover a discussão dos aspectos éticos das pesquisas em
seres humanos na comunidade. Dessa forma, promove atividades, tais como seminários,
palestras, jornadas, cursos e estudo de protocolos de pesquisa.
O Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Pompéia é um órgão
multidisciplinar, assim constituído:
- Dr. André Germano Leite* (Médico – Mestre e Doutor
em Medicina UFRGS);
- Dr. André Reiritz (Médico – Mestre e Doutor em Medicina
UFRGS);
- Dr. Osvaldo von Eye (Médico – Mestre em Medicina PUCRS);
- Dr. Joemerson Rosado (Médico – Mestrando em Medicina UCS);
- Sra. Juliana Knak (Enfermeira – Hospital Pompéia);
- Sra. Marita XXXX (Psicóloga – Hospital Pompéia);
- Sr. Gilberto XXXX (Administrador Hospital Pompéia);
- Sr. Rogério Mioto (Frei – representante religioso);
- Sr. José João da Silva (representante da comunidade);
(*)
Coordenador do Comitê de Ética
em Pesquisa do Hospital Pompéia.
COMO ENCAMINHAR PROJETOS DE PESQUISA:
O
primeiro passo para um pesquisador
encaminhar seu projeto de pesquisa
ao
Comitê de Ética em Pesquisa
do Hospital Pompéia, é registrar
a pesquisa junto ao SISNEP (Sistema Nacional
de Ética em Pesquisa). O registro
da pesquisa pode ser executado através
do acesso ao site do SISNEP. Para registrar
sua pesquisa junto ao SISNEP (e por conseguinte
no CEP do Hospital Pompeia) acesse o
link “Registro da Pesquisa - SISNEP” abaixo.
Após o cadastramento do(s) pesquisador(es)
e registro do projeto de pesquisa, será automaticamente
gerada uma folha de rosto, a qual deverá ser
encaminhada ao Comitê de Ética
em Pesquisa do Hospital Pompéia.
O termo de consentimento livre e esclarecido
também poderá ser
confeccionado on-line. Para confeccionar seu termo de consentimento acesse
o link “Termo de Consentimento” abaixo. O termo de consentimento
livre e esclarecido e obrigatorio na pesquisa envolvendo seres humanos. Ele
garante a concordancia do sujeito da pesquisa (paciente) participar do estudo,
alem de confirmar que o sujeito da pesquisa (paciente) compreendeu completamente
os objetivos, vantagens, desvantagens e riscos de participar da pesquisa.
Juntamente com a folha de rosto e o termo de consentimento devem tambem ser
encaminhados outros documentos, incluindo:
• projeto de pesquisa: deverá obrigatoriamente: 1) ser escrito na
língua portuguesa; 2) apresentar descrição de objetivos,
materiais e métodos, casuística, resultados esperados e bibliografia;
3) ponderar sobre uma analise critica de riscos e benefícios; 4) especificar
a duração da pesquisa e seu cronograma de execução;
5) definir as responsabilidades do pesquisador, da instituição
ou do patrocinador; 6) estabelecer critérios para suspender ou encerrar
a pesquisa; 7) especificar o local da realização de diferentes
etapas da pesquisa; 8) fornecer um orçamento financeiro detalhado, especificando
inclusive se existe alguma forma de remuneração do pesquisador;
9) especificar o número de sujeitos a serem incluídos na pesquisa;
10) definir planos de recrutamento, critérios de inclusão e exclusão.
•curriculum vitae resumido dos pesquisadores: o CEP do Hospital Pompéia
exige o cadastramento do curriculo vitae dos pesquisadores na plataforma lates
do CNPq. Para acessar a página da internet para confecção
de seu curriculum (e dos demais pesquisadores) na plataforma lates, acesse o
link “Curriculum Plataforma Lates”.
CEP POMPÉIA – PIONEIRISMO
EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA:
O
Comitê de Ética em Pesquisa
do Hospital Pompéia vem investindo
em inovação tecnológica,
apresentando este site, dirigido exclusivamente
para pesquisadores, contendo informações
e possibilidades de interação,
visando a facilitação da
tramitação e análise
dos projetos de pesquisa pelo Comitê.
Atualmente o Comitê de Ética em pesquisa dispõe de uma
secretaria junto ao Hospital e informações adicionais podem
ser solicitadas através do e-mail ceppompeia@gmail.com.
ENTENDENDO
MORAL E ÉTICA:
Moral
e ética são valores
aparentemente conhecidos por todos nós,
porém estes termos são
freqüentemente utilizados, carecendo
de maior precisão quanto ao seu
real significado.
A pessoa não nasce ética;
sua estruturação ética
vai ocorrendo juntamente com o seu desenvolvimento.
De outra forma, a humanização
traz a ética para o centro da
questão.
Muitos crêem que a eticidade, ou
a condição de vir a ser ético,
significa apenas a competência
para ouvir o que o coração
diz. Acredita-se que essa seja apenas
uma característica de sensibilidade
emocional, reservando-se o ser ético
para os que tiveram a capacidade de percepção
dos conflitos entre o que o coração
diz e o que a cabeça pensa, podendo-se
percorrer o caminho entre a emoção
e a razão, posicionando-se na
parte desse percurso que se considere
mais adequada.
Da mesma maneira que não se nasce
com a consciência do significado
de família, o mesmo ocorre com
os conceitos de valores, de moral e de ética,
sendo eles introjetados à parte
da experiência de vida.
Muitas vezes, pela sua proximidade, esses
conceitos são confundidos, outras
vezes eles se fundem.
Etimologicamente, valor provém
do latim valere, ou seja, “que
tem valor, custo”. As palavras “desvalorização”, “inválido”, “valente” ou “válido” tem
a mesma origem.
O conceito de valor freqüentemente
está vinculado a noção
de preferência ou de seleção.
Não devemos, porém, considerar
que alguma coisa tem valor apenas porque
foi escolhida ou é preferível,
podendo ela ter sido escolhida ou preferida
por algum motivo específico.
Para Barton e Barton o estudo da filosofia
moral consiste em questionar-se o que é correto
ou incorreto, o que é uma virtude
ou uma maldade nas condutas humanas.
A moralidade é um sistema de valores
do qual resultam normas que são
consideradas corretas por uma determinada
sociedade.
A moral pressupõe três características:
1) seus valores não são
questionados: 2) eles são impostos;
3) desobediência às regras
pressupõe um castigo.
Barton e Barton definiram que a ética
está representada por um conjunto
de normas que regulamentam o comportamento
de um grupo de pessoas.
A eticidade esta na percepção
dos conflitos da vida psíquica
(emoção versus razão)
e na condição que podemos
adquirir de nos posicionarmos de forma
coerente, em face desses conflitos. A ética
se fundamenta em três requisitos:
1) percepção dos conflitos
(consciência); 2) autonomia (condição
de posicionar-se entre a emoção
e a razão, sendo que essa escolha
de posição é ativa
e autônoma); e 3) coerência.
Muitas pessoas, incluindo pesquisadores
e membros de Comitês de Ética
em Pesquisa, ainda confundem ética
e legislação.
Uma importante distinção
a ser feita entre as exigências
regulamentares ou legais e as diretrizes éticas é o
fato de que o descumprimento das primeiras
pode conduzir a implicações
legais, podendo gerar processos civis
e criminais contra o pesquisador. As
diretrizes éticas, por sua vez,
servem para nos informar e fornecer subsídios
sobre quais os procedimentos e cuidados
que devemos adotar por razoes éticas,
independentemente do que diz a legislação
local. Ou seja, a legislação
local estabelece determinados padrões
mínimos que cada pesquisador deve
adotar em relação aos participantes
no sentido de protege-los de eventuais
danos decorrentes de um determinado estudo.
As diretrizes éticas demandam
que os pesquisadores garantam mecanismos
de proteção e compensação
para alem da lei. Os documentos de teor ético
não são de caráter
obrigatório ou compulsório,
uma vez que não são considerados
textos legais. No entanto, o senso de
responsabilidade social da pratica cientifica
faz com que os pesquisadores incorporem
preceitos éticos mesmo reconhecendo
a ausência de forca legal.
As atividades de pesquisa envolvendo
seres humanos não devem ser somente
fidedignas cientificamente, mas também
justificadas socialmente, isto é,
moralmente legitimas, a fim de assegurar,
na melhor das hipóteses, os mais
altos padrões cientifico e moral
alcançável, ou, na pior,
os padrões menos ruins possíveis.
Em particular, elas implicam responsabilidades
dos pesquisadores para com as pessoas
objetos da pesquisa (sujeitos da pesquisa).
COMITÊS DE ÉTICA
EM PESQUISA
A
analise da validade ética das
pesquisas se concretiza nos Comitês
de Ética em Pesquisa das instituições.
A clara caracterização
das pesquisas e, conseqüentemente,
a analise de sua validade e aceitabilidade,
embasada em conhecimentos prévios
que apontem para o beneficio e o acompanhamento
controlado de seus resultados, de forma
sistemática e universal (cobrindo
todos os protocolos), podem trazer ganhos
enormes tais como a diminuição
do numero de pessoas desnecessariamente
expostas a procedimentos inúteis
ou danosos e, acima de tudo, a clara
compreensão da utilidade (relação
risco/beneficio).
Assim, toda a pesquisa envolvendo seres
humanos deve ser submetida a uma reflexão ética no sentido de assegurar o respeito pela identidade,
integridade e dignidade da pessoa humana e a pratica da solidariedade e da
justiça social.
Esses comitês desempenham um papel central, não permitindo que
nem pesquisadores nem patrocinadores sejam os únicos a julgar se seus
projetos estão de acordo com as orientações aceitas.
Dessa forma, seus objetivos são proteger os sujeitos das pesquisas
de possíveis danos, preservando seus direitos e assegurando a sociedade
que a pesquisa vem sendo feita de forma eticamente correta. Torna-se cada
vez mais relevante e imprescindível à avaliação
do projeto de pesquisa por uma terceira parte, independente, considerando-se
princípios éticos minimamente consensuais. A característica
de independência deve ser construída por meio de uma composição
adequada e da instituição de procedimentos transparentes. A
disposição ao dialogo e a transparência é o que
pode levar ao respeito à dignidade da pessoa, a pratica consciente
dos profissionais e a justiça social.
O trabalho dos Comitês de Ética em Pesquisa depende de duas
condições essenciais: legitimidade e infra-estrutura adequada,
esta ultima incluindo equipe preparada, facilidades operacionais, organizacionais
e orçamento.
Históricamente, os Comitês de Ética em Pesquisa nascem
como resposta da cultura contemporânea as implicações
morais das tecnociencias biomédicas, depois que foi desvendado que é possível, “em
nome” da Pesquisa e do Progresso do Conhecimento Cientifico, cometer
graves erros contra a Humanidade e contra os mais elementares direitos do
cidadão que regulam uma convivência civilizada nas sociedades
contemporâneas.
|